Saudade do tempo em que a vida era tão imediata que a saudade quase não existia. Saudade de não saber planejar, nem pensar no futuro, quando um ano eram imensos 365 dias. Estrada quase sem fim! Saudade da irresponsabilidade e das dores passageiras; das vontades pequenas, por isso imediatas.
Saudade de não ver amigos queridos sofrendo. Saudade de quando a perda mais grave era de um passarinho, ou um peixinho. Saudade de não entender a tristeza, de não ter medo, de não conhecer a dor, saudade de não precisar sentir saudade...
Existe uma tranqüilidade em amadurecer. Maturidade vem junto com uma calma assustadora. Um ano é pouco tempo. Uma semana quase não existe. Olhar um rosto adolescente angustiado traz um sorriso tranquilo que diz : " tadinha, já passa...essa dor praticamente nem existe." Amadurecer traz a mãe de todas as paciências. A gente aprende a esperar as mudanças, esperar pelo tempo, esperar que os filhos cresçam, esperar que alguém entenda, esperar, esperar, esperar. E nenhuma destas esperas é dolorida. O tempo se torna amigo e as mudanças de estação existem para distrair os olhos, não para contar os meses.
Vem a primavera com as flores, vem o inverno com céu azul, vem o outono todo amarelo, vem o verão com suas meninas coloridas...e você só sorri. Às vezes dizem que ainda há tempo, às vezes que o dia está chegando, mas quem se importa? Elas distraem os olhos e o coração de quem está vivo para ver.
Crescer traz coisas lindas e coisas chatas. A parte da tristeza alheia me destrói mais do que se fosse minha. Eu enxergo dentro da alma de quem é triste e tenho vontade às vezes de roubar a tristeza para mim. "Deixa que eu sinto pra você!" Eu queria ter a alma do mundo numa caixinha para não deixar ninguém sofrer, ou voltar a ser criança para simplesmente não perceber que existe dor.


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